fotografia: arquivo pessoal - Manel - Agosto 2011Os segundos passam, transformam-se em minutos e os minutos em horas. As horas passam depressa e ficou tanto por fazer. Os dias multiplicam-se em meses e o minuto que passou já faz parte da história. Amanhã faço mais e melhor, amanhã recomeço. E o amanhã, que hoje é futuro, passa a ser passado, assim tão rápido como os pensamentos e ideias que vamos acumulando na nossa cabeça. Não damos o beijo hoje, não pedimos desculpa, não fazemos uma loucura, não nos sentamos mais 20 minutos a brincar, porque temos tempo. E o tempo voa. Voa à velocidade da luz. E o que queríamos fazer hoje, passa para amanhã. E amanhã volta tudo ao mesmo. Levantar, duche, vestir, acordar miúdo, dar leite, lavar, vestir e sair de casa a correr. Entrar no carro, deixá-lo no colégio, chegar ao trabalho, despachar tarefas, adiar outras, ir buscar o miúdo, brincar, pôr jantar a fazer, dar-lhe banho, comer, arrumar, brincar, leite, pô-lo a dormir, um pouco de tv, conversar e dormir. Os segundo agrupam-se em minutos, os minutos em horas e voltamos à rotina. Assim se passam os dias, com tanta coisa para fazer e outras tantas por dizer. O beijo? ficou esquecido. A brincadeira extra, ficou para o fim-de-semana, a tarefa que andamos a adiar? fica para amanhã. E o relógio? não pára? Para quê desperdiçar segundos a fazer o que não se quer? a dizer o que ninguém vai ouvir? a tentar mudar o que nunca irá tomar outro rumo?a fazer o que nunca será valorizado?a ouvir o desnecessário? ou a tentar perceber o que não tem explicação? O relógio infelizmente não pára. Por isso, não podemos deixar para amanhã o que podemos fazer hoje, sob a pena de ficar esquecido para sempre.